Os alunos que tiraram fotografias à comida das cantinas escolares, para mostrar a qualidade e quantidade das refeições servidas, estão agora a ser punidos pelos diretores das respetivas escolas.

Segundo o Correio da Manhã, um desses casos aconteceu com duas jovens, de 16 e 18 anos, de uma escola em Gaia, que foram suspensas por cinco e dois dias, respetivamente, por terem partilhado uma fotografia na qual aparece apenas um pão e uma tigela de sopa.

Os pais das alunas estão revoltados com a punição e dizem não terem sido avisados da situação, ponderando avançar com uma queixa junto à Direção Regional de Educação do Norte (DREN), escreve o CM.

A escola defende a decisão tomada, justificando-se com um artigo do Estatuto do Aluno, que defende que os estudantes estão proibidos de “captar sons ou imagens” em atividades letivas e não letivas sem a autorização de professores, diretores ou de qualquer outro membro do estabelecimento de ensino.

O Observador dá conta de outro caso. Teresa (nome fictício), de onze anos, queixava-se à mãe da comida da escola, que então lhe pediu para tirar fotografias como prova de que não estava só a ser “esquisita”. “Quando vi aquilo fiquei chocada com a pouca quantidade de comida e, depois de vários e-mails sem resposta, divulguei no meu Facebook, sem dizer o nome da escola”, conta a progenitora.

A publicação terá sido vista por alguém da direção, o que levou a criança a ser chamada pela diretora ao conselho diretivo, onde estava também a professora responsável pelo 2.º e 3.º ciclo. Ter-lhe-á sido perguntado se sabia que era proibido tirar fotografias na escola.

“A minha filha disse que sabia. E ela perguntou porque é que tinha então tirado fotografia aos pratos da comida. Ela disse que tinha sido eu a pedir e a senhora diretora disse-lhe: ‘Sabes que isto pode dar direito a processo disciplinar com direito a suspensão? Quero que escrevas a relatar o que se passava com a comida e a dizer que tiraste as fotografias'”.

De seguida, a mãe recorda que a filha lhe ligou assustada com a situação. Tentou entrar em contacto com a direção, que só a recebeu uns dias depois e garantiu que não ameaçou a criança. “Ela nem 12 anos tem. É uma menor e eu sou a responsável por ela. Deviam ter-me chamado a mim”, considera.

A Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste) recebeu, desde o início do ano letivo, 70 queixas relativas a refeições escolares. Vários casos foram partilhados pelos encarregados de educação nas redes sociais como, por exemplo, o frango cru e o prato de rissóis congelados. Esta semana, veio também a público a lagarta viva numa salada.

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