Estela Silva / Lusa

Belmiro de Azevedo, ex-Presidente da Sonae, (dir.) com o seu filho, o actual presidente da empresa, Paulo Azevedo (esq.)

A dona da PT, que quer comprar a TVI, vai avançar com uma queixa-crime contra Paulo Azevedo depois de este ter dito que o negócio pode criar uma “Operação Marquês” dez vezes maior.

“Acredito que esta não decisão carece de sustentação legal, mas sinto o dever de dizer bem alto que estamos a assistir a uma tentativa de deixar passar uma operação que provocará um grave e perigoso enfraquecimento da resiliência e qualidade da nossa sociedade”, salientou Paulo Azevedo, presidente da Sonae, numa declaração escrita enviada à Lusa na sexta-feira.

Paulo de Azevedo referia-se assim à falta de consenso no parecer da ERC sobre a operação de compra da dona da TVI pela proprietária da PT/Meo, permitindo que o negócio avance.

A concretização do negócio “criará as condições para que daqui a 10 anos possamos estar todos indignados com a descoberta de uma operação Marquês 10 vezes maior“, considerou o presidente do Conselho de Administração da Sonae.

São estas as declarações de Paulo de Azevedo, filho de Belmiro de Azevedo, que a Altice não quer deixar passar em branco

. Por isso, a operadora vai avançar com uma queixa-crime.

A dona da PT diz que não vai aceitar “que terceiros façam declarações ou insinuações difamatórias relativamente a si ou à sua relação com reguladores, independentemente da posição ou poder desses terceiros. Responsabilizaremos, como é nosso dever, quem fizer afirmações relativamente à Altice que possam, ilegitimamente, afetar os nossos negócios e a nossa reputação”.

A notícia é avançada pelo Eco, que cita a operadora que diz que “sem prejuízo de a substância das declarações vir a ser objeto dos procedimentos legais adequados, é claro que as declarações do Engenheiro Paulo Azevedo são o culminar de uma campanha pública orquestrada contra a Meo, incluindo pressões indevidas sobre os reguladores”.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]