Tiago Petinga / Lusa
A embaixadora e ex-MPE, Ana Gomes
Ana Gomes mostrou-se satisfeita com a atuação de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa durante esta pandemia. A ex-eurodeputada deixou ainda duras críticas aos holandeses, que diz irem pastar para outras paragens quando os alemães quiserem eurobonds.
Em entrevista à Rádio Observador, a ex-eurodeputada Ana Gomes defendeu uma resposta forte e conjunta por parte da União Europeia e deixou ainda duras críticas aos Países Baixos.
Ana Gomes salienta que esta é uma “crise sem precedentes”, que até pode ser comparada à II Guerra Mundial. “Neste momento, há setores significativos da economia que foram, pura e simplesmente, paralisados. É até difícil que se reconvertam, embora tenha havido já histórias de sucesso de reconversão”, disse.
A antiga eurodeputada não conseguiu ficar indiferente às críticas de António Costa ao ministro das Finanças holandês, Wopke Hoekstra. “Esse é um discurso repugnante no quadro da União Europeia. A expressão é mesmo esta: repugnante. Ninguém está disponível para voltar a ouvir ministros das Finanças holandeses como aqueles que já ouvimos em 2008, 2009, 2010 e em anos consecutivos”, disse António Costa, na quinta-feira.
“Percebo perfeitamente o primeiro-ministro português e apoio-o inteiramente”, confessou. “Não é razão para desistirmos. Pelo contrário, é para nos unirmos”, acrescentou.
Ana Gomes defende a necessidade de emitir os chamados ‘coronabonds’, a emissão conjunta de dívida por partes dos estados-membros. E para quem não tiver interesse? “Eles terão de forçar a mão daqueles que resistem“, afirmou a ex-diplomata.
“Quem tem a chave deste jogo é a Alemanha. Os holandeses são só their master’s voice [a voz do dono]. No dia em que a Alemanha decidir que há coronabonds, os holandeses e os finlandeses e outros que tais, vão pastar para outras paragens”, atirou.
A própria garante que o jogo está do lado dos alemães: no dia em que a Alemanha quiser, haverá coronabonds. “A Alemanha faz este jogo. Manda os cães de fila para a frente, fica a ver como param as modas e depois um dia, decide”, explicou Ana Gomes.
A emissão de dívida mutualizada é a única forma capaz de resolver a crise que vem com a pandemia de covid-19. No entanto, defende que é preciso haver um plano de ação conjunta a nível europeu. Uns chamam-lhe plano Marshall, outros plano Von der Leyen. Ana Gomes chama-lhe plano Úrsula.
No plano geral, a antiga eurodeputada mostrou-se satisfeita com o desempenho de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.
Ana Gomes recusa também pensar nas eleições presidenciais, às quais muitos apontam uma possível candidatura da sua parte. “Estamos em estado de emergência. Estamos em estado de emergência! Está tudo suspenso, até as prestações do crédito vão ser suspensas até setembro”, exclamou. “Acha que há condições para haver eleições se estivermos ainda num estado de emergência prolongado?”.
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Esta agora anda à procura do tacho perdido... Anda mais mansa!
E quanto à corrupção nos países do sul não tem nada a dizer, desde que deixou de ter tacho?