Apesar de muitas pessoas usarem a desculpa de estarem alcoolizadas para justificar coisas que disseram ou fizeram, um estudo prova que o álcool não é desculpa para o mau comportamento.

O álcool desinibe, fazendo-nos dizer e fazer coisas que, de outra forma, manteríamos em segredo. Muitas vezes as pessoas bebem para ganhar coragem numa situação exigente. Muitos de nós podem entender o apelo de tomar uma bebida antes de um encontro às cegas ou de um evento social — pode ajudar a acalmar os nervos e cultivar a confiança. Isto porque o álcool tem um efeito que nos faz sentir mais relaxados.

No entanto, os efeitos do álcool não são todos positivos. Talvez você seja o “bêbado feliz”, ou talvez tenha construído a reputação de ser o “bêbado agressivo” que vê mal em tudo depois de uma cerveja.

A relação entre o álcool e o comportamento antissocial está bem documentada. Muitas discussões e brigas vêm de alguém que bebeu demais. Os cientistas acreditam que nos comportamos assim quando bebemos porque interpretamos mal as situações sociais e perdemos empatia. Em essência, quando começamos a arrastar a falar, a nossa capacidade de entender ou compartilhar as emoções dos outros vai pelos ares.

Se alguém fez algo de errado enquanto estava alcoolizado, tendemos a ser mais lenientes, em vez de responsabilizá-los pelas suas ações — e também acabamos por alargar este princípio a nós mesmos.

No entanto, num estudo publicado no mês passado no Journal of Psychopharmacology, os cientistas tentaram traçar uma imagem mais clara de como o consumo de álcool, a empatia e o comportamento moral estão relacionados.

Acontece que, embora o consumo de álcool possa afetar a empatia, fazendo-nos reagir de maneira inadequada às emoções e reações de outras pessoas, isso não muda necessariamente os nossos padrões morais ou os princípios

que usamos para distinguir entre o que é certo e o que é errado.

Os investigadores deram aos participantes shots de vodka e depois mediram a sua empatia e as suas decisões morais. Apresentaram imagens a mostrar várias pessoas a expressar emoções aos participantes. Depois de beberem uma dose maior de vodka, as pessoas começaram a reagir inadequadamente às manifestações emocionais.

Seguidamente, os participante diziam aos investigadores o que achavam que fariam em dilemas morais. Numa simulação em Realidade Virtual, testavam esses dilemas e viam se batia certo com o que tinham dito.

Embora o álcool possa ter prejudicado a empatia dos participantes, isso não afetou a forma como eles julgaram as situações morais ou como agiram nelas. Acontece que, embora possamos acreditar que o álcool muda as nossas personalidades, isso não acontece. Continuamos as mesmas pessoas depois de umas bebidas.

Então, embora o álcool possa afetar a forma como interpretamos e compreendemos as emoções de outras pessoas, não podemos culpar o álcool pelos nossos comportamentos imorais.

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