Tiago Petinga / Lusa

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

O Bloco de Esquerda considera que as grandes superfícies comerciais se estão a aproveitar do estado de emergência. O Presidente da Área Metropolitana do Porto também não poupa críticas ao Pingo Doce.

O líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considera que o Governo devia “agir fortemente” para travar a intenção de as grandes superfícies comerciais abrirem mais cedo nos dois fins de semana de recolher obrigatório.

Esta quarta-feira, a Jerónimo Martins anunciou a intenção de antecipar a abertura da “maioria das suas lojas” Pingo Doce para as 06:30 no fim de semana, devido às limitações de circulação, para evitar a concentração de pessoas durante a manhã.

Segundo a TSF, o Bloco de Esquerda acredita que “não tem sentido que os hipermercados aumentem uma concorrência desleal para com o pequeno comércio alargando ainda mais os seus horários”.

“Estão a utilizar a pandemia como uma forma de um enorme abuso sobre os trabalhadores e os seus horários”, acusa Catarina Martins. “Aquilo que estão a pedir aos trabalhadores do Pingo Doce, que passem a abrir às 6h30, é uma violência tremenda que é feita com a desculpa da pandemia.”

O presidente da Área Metropolitana do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, é da mesma opinião. Em declarações à Renascença, o responsável exige que o Governo se pronuncie sobre o assunto.

“Uma coisa é fazer um pedido, outra coisa é agora sabermos que afinal já há uma superfície que, pelos vistos, manda mais que a legislação e tomou a iniciativa de abrir às 6h30 em todo o país”, justificou.

Eu não sei se isto é considerado legítimo ou não, portanto o que peço ao Governo, uma vez que estamos em estado de emergência, é que de uma forma muito transparente tome medidas. Não se pode puxar para atrás aquilo que se encurta para a frente. E na verdade houve uma redução do horário de funcionamento de forma a que as pessoas fiquem em casa”, acrescentou.

O presidente da Área Metropolitana do Porto vai mais longe nas críticas e diz que a situação é “ridícula”. “Acho mesmo que tem de ser uma situação nacional, porque assim ficamos todos a coberto do próprio ridículo, e por isso acho que o que deve ser feito é de facto ter aqui uma definição nacional, porque não é município a município que se vai tratar destes assuntos.”

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=””]