A vice-presidente da Venezuela disse esta quarta-feira que a ajuda humanitária fornecida pelos Estados Unidos, que inclui alimentos e medicamentos e está retida atualmente na cidade fronteiriça colombiana de Cúcuta, “é cancerígena” e vai envenenar aqueles que a consumirem.

“Essa ajuda está contaminada e envenenada, é cancerígena, assim demonstraram diferentes estudos científicos”, afirmou Delcy Rodriguez, sem adiantar informações que comprovassem tais alegações, num discurso transmitido pela televisão estatal VTV.

Segundo a representante, os Estados Unidos pretendem com estas doações “envenenar através de produtos químicos” os venezuelanos.”Devemos ficar em alerta (…) poderemos decidir que são armas biológicas“, insistiu a vice-presidente venezuelana.

Na mesma intervenção, Delcy Rodriguez qualificou como “um espetáculo barato” e “um insulto” o facto de a oposição venezuelana e de vários governos da região, liderados por Washington, afirmarem que a Venezuela precisa de ajuda.

As declarações de Delcy Rodriguez surgem um dia depois de um dirigente chavista, Freddy Bernal, ter garantido que pelo menos 14 colombianos tinham sofrido intoxicações após a ingestão de alimentos da ajuda humanitária que se encontra armazenada em Cúcuta, na Colômbia, onde espera autorização para passar a fronteira até à vizinha Venezuela.

Na altura, o representante chavista indicou que a informação tinha sido avançada por um diário local. O jornal em questão, o La Opinión de Cúcuta

, já desmentiu, entretanto, a publicação de tal informação, que acabou por ser amplamente divulgada nas redes sociais.

Rodríguez acusou ainda Juan Guaidó de vender-se por 20 milhões de dólares. “Este rapaz saiu barato, nós vemos a farsa à direita. Felizmente são uma minoria”, acrescentou.

O Governo venezuelano tem insistido em negar a existência de uma crise humana no país e tem dito que não permitirá a entrada de ajuda na Venezuela. O Presidente eleito, Nicolás Maduro, tem reiterando que não há fome no país, afirmando ainda que milhões de emigrantes procuram o país todos os anos.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou que a 23 de fevereiro entrará a ajuda humanitária no país. “A ajuda humanitária vai entrar [no paíse], sim ou sim [de qualquer maneira], o usurpador terá que ir-se (embora), sim ou sim, da Venezuela”, disse.

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