Brais Lorenzo / EPA
Nos próximos dias, várias universidades e empresas de drenagem de águas residuais vão começar a medir a carga viral de SARS-COV-2 nos esgotos. Esta pode ser uma “arma secreta” para perceber a dinâmica do novo coronavírus.
Universidade e empresas de drenagem de águas residuais vão medir a carga viral de SARS-COV-2 nos esgotos que chegam às estações de tratamento. A medição começa nos próximos dias e os primeiros resultados são esperados ainda este mês, adianta a Rádio Renascença esta segunda-feira.
Manuel Carmo Gomes, professor de Epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explicou que tanto as pessoas com sintomas como as assintomáticas libertam vírus pelas fezes que, consequentemente, vão parar às águas residuais.
“Se conseguirmos ter uma medida da concentração destes vírus nas águas residuais, permitir-nos-ia saber qual é a carga desta infeção na nossa comunidade e por área geográfica”, disse o responsável.
O objetivo é monitorizar as variações provocadas pelas alterações às restrições sociais na carga viral presente na comunidade. “Se tudo correr bem, graças às medidas de contenção, a incidência da doença vais descer. Esperamos ver isso de forma mais clara no final deste mês.”
“Era importante acompanhar o impacto dessa descida nas águas residuais. É um indicador indireto da carga da infeção na comunidade, carga que até agora vemos sobretudo no número de casos sintomáticos”, revelou Manuel Carmo Gomes.
A investigação junta a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e as empresas Águas de Portugal, Águas do Porto e outras ligadas ao abastecimento de água e drenagem de esgotos.
Pré-aviso para o Serviço Nacional de Saúde
Em maio, espera-se um alívio das medidas de contenção que fará, consequentemente, aumentar o número de casos confirmados de covid-19. Os epidemiologistas estão à espera dessa subida, mas, ao contrário do início da pandemia no país, acreditam que este projeto pode ajudar as autoridades a prepararem o embate.
“Se levantarmos as medidas atuais, é de esperar um ressurgimento dos casos de infeção. Esperemos que seja local e não à velocidade em que estivemos há um mês. Mas se tivermos este indicador de maior transmissão do vírus na comunidade, através das águas residuais, saberemos do ressurgimento da infeção antes mesmo de aparecerem os doentes. Existe um atraso entre o surgimento da doença e o aparecimento dos primeiros doentes”, explicou o especialista à rádio.
Matos Fernandes, ministro do Ambiente, já tinha sublinhado a importância deste projeto. A monitorização do vírus nas águas residuais tem sido utilizada em vários países, como a Holanda, que diz ter detetado indícios do novo coronavírus nas águas residuais na cidade de Haarlem antes mesmo dos primeiros casos se terem ali registado oficialmente.
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Por momentos pensei que nos iam mandar todos à m... mas assim, apenas vão vigiar a m... que fazemos.