A DARPA, divisão científica do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, está a coordenar os esforços de diferentes laboratórios de biotecnologia para criar medicamentos avançados e terapias bio-eléctricas que permitam suprimir o medo num soldado em missão arriscada.

A Defense Advanced Research Projects Agency, divisão científica do Pentágono, que desenvolveu nos anos 70 a Arpanet, rede pioneira percursora da Internet que hoje conhecemos, tem sido responsável por alguns dos mais inovadores projectos militares norte-americanos.

Entre outros projectos tão arrojados quanto estranhos, a DARPA está presentemente a usar o seu orçamento de 3 mil milhões de dólares para desenvolver veículos militares super-velozes que se conduzem sozinhos, robots espiões que comem plantas para recarregar as baterias, patogénios que lutam contra armas biológicas invasoras do organismo, e plataformas aéreas para aterragem e reabastecimento de drones.

Segundo o Christian Today, a DARPA propõe-se agora criar um programa terapêutico, à base de drogas medicinais e tratamentos bio-eléctricos, para tornar realidade uma velha ideia da ficção científica: o soldado sem medo.

Nesse sentido, a agência organizou uma conferência com diferentes laboratórios científicos seus associados, e desafiou-os a encontrar novas tecnologias avançadas que permitam manipular o sistema nervoso de soldados em combate.

Segundo Doug Weber, director do programa científico da agência, controlar o sistema nervoso dos soldados passa por manipular o seu sistema imunitário e controlar os níveis de pressão arterial

e de libertação de adrenalina.

“Conter o medo e a ansiedade é especialmente útil para soldados em combate que tenham que lidar com ambientes particularmente stressantes”, explicou Weber aos laboratórios.

A DARPA está particularmente focada em estabelecer comunicação directa com o organismo dos soldados e controlar a entrega de informação ao seu sistema nervoso.

“Em vez de medicamentos, poderemos vir a usar circuitos electrónicos implantados no corpo para regular os níveis de stress”, diz Doug Weber, “seria um modificador do estado de espírito”.

Além da aplicação em situações de combate, o programa poderá vir a mostrar-se útil no tratamento de casos de stress pós-traumático em soldados de regresso a casa.

Efectivamente, é trágico o número cada vez mais frequente de soldados que sobrevivem à guerra apenas para sucumbir em casa ao pânico – e a uma overdose de medicamentos anti-psicóticos.

“Se conseguirmos isto”, garante Weber, “estaremos a mudar as regras do jogo”.

AJB, ZAP