A culpa da crise e do resgate da Troika não foi das famílias portuguesas e do facto de viverem acima das suas possibilidades. A conclusão é de um novo estudo que culpa antes o Estado e as empresas, considerando que estes é que não pouparam devidamente e gastaram demasiado.
Esta pesquisa económica feita à realidade das poupanças dos portugueses vai ser oficialmente apresentada nesta terça-feira, com a apresentação do livro “A poupança e o financiamento da economia portuguesa”, da autoria de quatro economistas da Universidade do Minho.
Na investigação feita após solicitação da Associação Portuguesa de Seguradores, estes economistas detectaram que as famílias portuguesas estão entre as que menos poupam na Europa, conforme destaca a TSF, antecipando a publicação do livro.
Com a poupança “em mínimos históricos”, esta realidade não tem contudo, a ver com um aumento dos gastos de consumo dos portugueses, conforme repara na TSF Fernando Alexandre, um dos economistas envolvidos no estudo.
“Às vezes, há uma leitura moralista destes dados dizendo que as pessoas vivem acima das suas possibilidades, mas as pessoas não são estúpidas”, afiança o investigador, considerando que “grande parte das despesas que as pessoas fazem não são consumo, são investimento“.
Fernando Alexandre dá o seu próprio exemplo, notando que tem três filhos e que gasta “a maior parte do rendimento na sua educação”.
O economista aponta antes o dedo ao Estado e às empresas pela crise económica que assolou Portugal e que obrigou ao pedido de ajuda internacional.
“A economia portuguesa como um todo viveu acima das possibilidades, mas quem viveu claramente acima das possibilidades não foram as famílias portuguesas, foram as empresas portuguesas, foi o Estado português“, considera Fernando Alexandre.
“Empresários portugueses retiram lucros das empresas”
Sobre as empresas nacionais, o economista salienta que “estão no grupo das mais endividadas do mundo, ao contrário das famílias que, apesar de muito endividadas, não estão tanto, em percentagem do PIB, como em muitos outros países”.
Em termos empresariais, a economia nacional enfrenta “um problema sério” pelo facto de as empresas não conseguirem poupar, nem reinvestir os lucros, optando antes pela sua distribuição pelos accionistas, atesta Fernando Alexandre.
“Os empresários portugueses retiram os lucros das empresas, não os mantêm lá e não os investem”, aponta.
No livro “A poupança e o financiamento da economia portuguesa”, os economistas da Universidade do Minho atestam que a queda das taxas de juro, que se arrasta desde 2009, possibilitou às famílias portuguesas reduzir os gastos com as prestações da casa num valor global da ordem dos 200 milhões de euros por mês, conforme cita a TSF.
Apesar disso, a poupança dos portugueses não cresceu, particularmente entre a população em idade activa. A maioria das poupanças do país é feita por pessoas em “idades mais avançadas e sobretudo de quem está no leque dos 20% com mais rendimentos ao final do mês”, salienta a TSF.
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Foi preciso um estudo para chegarem a esta conclusão???
Cambada de otários que acreditaram e continuam a acreditar nos seu queridos políticos.