Manuel Fernando Araújo / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio

Afastado dos holofotes desde a noite eleitoral e sem dizer se se vai recandidatar à liderança do PSD, Rui Rio recorreu ao Twitter para comentar as suas suspeitas sobre a RTP.

O líder social-democrata recorreu às redes sociais para sugerir implicitamente que a RTP protegeu o PS e António Costa durante as eleições. Em causa está, de acordo com o semanário Expresso, o programa de investigação jornalística “Sexta às 9” e um novo caso a envolver membros do Governo.

Rio comentou a última edição do “Sexta às 9”, programa de investigação jornalística protagonizado por Sandra Felgueiras: “Porque será que o Sexta às 9 foi suspenso antes das eleições, particularmente este programa que só pode ser emitido ontem? Pode haver mil razões, mas perante a gravidade do que aqui está…”, deixa no ar o líder social-democrata.

A não transmissão do programa “Sexta às 9” durante o período eleitoral alimentou denúncias sobre tentativas de condicionamento por parte da direção da RTP aos jornalistas em causa – acusações refutadas pelos responsáveis editoriais da estação pública. Rio aparenta ver agora essa tese como provada, sugerindo que a RTP não quis prejudicar o PS e António Costa durante as eleições.

Sandra Felgueiras e a sua equipa dão destaque ao inquérito-crime aberto pelo Ministério Público por suspeitas de crimes económicos no ato de entrega pelo Estado de uma concessão para exploração de lítio em Montalegre

. No centro da investigação estão duas figuras ligadas ao universo socialista, Jorge Costa Oliveira, ex-secretário de Estado da Internacionalização e Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia, e uma empresa criada três dias antes do negócio.

A reportagem já motivou uma troca de argumentos entre João Galamba, secretário de Estado da Energia, e Sandra Felgueiras. Num longo texto publicado no Facebook, o socialista acusou a jornalista de se dedicar a reiterados exercícios de “desinformação” e de “alimentar mentiras”.

Já a jornalista acusou Galamba de viver em “total alheamento”. “Caro João Galamba, nenhum político nem servidor público está acima do escrutínio. A sua resposta é o reflexo pleno do total alheamento dos factos que pretende fazer desde o início. Atacar a solidez das nossas dúvidas é atacar neste momento o Ministério Público que abriu um inquérito-crime”, escreveu a jornalista.

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