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João Araújo, advogado do ex-primeiro-ministro José Sócrates

O advogado de José Sócrates, João Araújo, considera, em entrevista à SIC Notícias, que o juiz e o procurador da operação Marquês, os magistrados Carlos Alexandre e Rosário Teixeira, transmitiram informações aos jornalistas no âmbito da Operação Marquês.

João Araújo comentava o que definiu como o “importante” e “inusitado” editorial do director do Jornal de Notícias, Afonso Camões, considerando que é “a primeira vez que um jornalista põe o nome às fugas“.

O editorial de Afonso Camões surgiu depois de o jornal Correio da Manhã ter avançado que o director do Jornal de Notícias terá avisado José Sócrates, em Maio de 2014, de que estaria a ser investigado. O diário refere as escutas da “Operação Marquês”, que terminou com a detenção do ex-primeiro-ministro, como fonte e acrescenta que nas mesmas o ex-governante é ouvido a defender a escolha do jornalista, que é seu amigo de infância, para a direcção do Jornal de Notícias.

Nesse editorial, Afonso Camões admite que foi informado, quando era administrador e presidente da Agência Lusa, por “um jornalista” de um “grupo empresarial” que não revela de que “a prisão de Sócrates estava iminente”. Não diz directamente que informou o amigo Sócrates disso, mas acrescenta que um “camarada” desse jornalista lhe revelou que a informação tinha vindo “directamente da investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira”.

Para João Araújo é, assim, evidente que o juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira transmitiram informações aos jornalistas

“Ou [Afonso Camões] é completamente louco, e vai cumprir um crime de difamação agravada, ou então é verdade”, sustenta o advogado de José Sócrates na SIC Notícias.

“Não há fugas, há transmissão”, frisa também João Araújo, constatando que a aparente violação do segredo de justiça é ainda mais grave.

Entretanto, a procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, aconselhou Afonso Camões a procurar um advogado para se defender, no âmbito da polémica com o Correio da Manhã, argumentando que há já vários processos em curso por violação de segredo de justiça e que não pode conceder-lhe “conselhos nem pessoais nem jurídicos”.

O director do Jornal de Notícias esteve reunido com Joana Marques Vidal na semana passada e terá recusado revelar como soube que José Sócrates estava a ser investigado.

SV, ZAP