tzumbiehl / Flickr

Uma advogada britânica iniciou uma petição de apelo ao boicote ao turismo em Portugal que já recolheu mais de 3.000 assinaturas para pressionar as autoridades portuguesas a proteger os cavalos de maus tratos que considera terem atingido “níveis epidémicos”.

“Comecei esta petição por causa do meu desgosto ao ver o estado dos cavalos no Algarve, que visito regularmente. O cenário é tão angustiante que não consigo visitar mais [Portugal], o que é uma grande pena porque antes eu adorava ir a Portugal”, justificou Susan Clark à agência Lusa.

Lançou a petição eletrónica intitulada “Stop the Cruelty to Horses in Portugal [Parem com a Crueldade aos Cavalos em Portugal] para tentar dar visibilidade ao problema e apelar ao boicote de outras pessoas.

A petição é ilustrada com a fotografia de um cavalo com um aspeto malnutrido abandonado na berma de uma estrada, situação que a britânica diz ter acontecido recentemente na estrada N125, no Algarve.

Susan Clark / thepetitionsite.com

Em poucas semanas angariou mais de 3.000 assinaturas de pessoas não só do Reino Unido mas também da Alemanha, França, Holanda, ou EUA, bem como de Portugal, o que espera que angariar mais apoio.

O boicote das milhares de pessoas que assinaram a petição pode privar Portugal de um rendimento substancial para o país: o Reino Unido foi o principal mercado emissor de turistas nos primeiros nove meses do ano.

A advogada responsabiliza as autoridades nacionais por não fazer respeitar as normas europeias de proteção aos animais

, mesmo se compreende que o país atravessa uma crise financeira.

“Se as pessoas não têm dinheiro para manter os seus cavalos, então deveria ser criada uma organização social (ou programa de abate) devidamente financiada. E a polícia ou autoridades precisam de ser capazes de apreender os animais se estes não são bem tratados”, sugeriu.

Susan Clark diz ter trocado correspondência por email com o deputado eleito pelo Algarve Cristóvão Norte, que lhe disse estar a tentar que a legislação de defesa de animais domésticos seja também aplicada aos cavalos, mas receia que o processo demore.

“Isto precisa de acontecer mais cedo porque o sofrimento é horrendo. Os cavalos são muito mais sensíveis do que outros animais de quinta e merecem ser tratados de forma adequada”, argumentou.

Em último recurso, afirmou acreditar que “seria melhor abater os animais do que deixá-los morrer de forma, desidratação e excesso de trabalho”.

Contactado pela agência Lusa, o Turismo de Portugal afirmou não ter intervenção nesta matéria, remetendo essa responsabilidade para a Direção de Serviços de Proteção Animal (DSPA), da Direcção Geral de Alimentação e Veterinária, e para o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA).

Um responsável afirmou ter informação de “dois ou três episódios de cavalos abandonados, mas que não refletem de forma alguma a relação que os portugueses têm com os cavalos e a maneira como os mesmos são tratados em Portugal”.

/Lusa