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Retrato póstumo de Cristóvão Colombo, por Sebastiano del Piombo (1519)

O mistério da nacionalidade de Cristóvão Colombo pode ser, finalmente, desfeito, graças a uma amostra de ADN com cerca de 500 anos.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra e do Instituto Superior Técnico de Lisboa esperam provar definitivamente que Cristóvão Colombo era, na verdade, o corsário português Pedro Ataíde.

A teoria mais aceite pelos especialistas aponta que Cristóvão Colombo terá nascido em Génova, Itália. Mas há teses alternativas, segundo as quais o explorador que descobriu a América seria catalão, galego ou português.

O grupo de investigadores portugueses espera provar que o descobridor da América era, na verdade, um corsário português, com base numa amostra de ADN de há 500 anos.

Os cientistas, especialistas da Universidade de Coimbra e do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa, acreditam que podem comprovar que Colombo era português e que o seu nome verdadeiro era Pedro Ataíde, um corsário do Século XV.

Esta teoria foi desenvolvida pelo professor Fernando Branco, do IST, num livro publicado em 2012, com o título “Cristóvão Colon, Nobre Português”, em que recolheu mais de meia centena de coincidências entre a vida do navegante e a de Pedro Ataíde.

Aquele corsário foi dado como morto na batalha naval do Cabo de São Vicente, em 1473, onde combateu ao lado de um francês chamado Culon.

De acordo com a tese de Fernando Branco, Ataíde conseguiu salvar-se e chegar a nado às costas do Algarve, onde terá decidido mudar de nome para Pedro Colon (ou Culon) por motivos de segurança, já que a sua família era perseguida em Portugal, após ter participado numa conjura para matar o Rei D. João II.

ADN dos ossos do primo de Pedro Ataíde

“Há um conjunto de indícios que apontam que o seu verdadeiro nome era Pedro Colón. Nunca escreveu o seu nome como Cristóvão Colón. Assinava como almirante ou com uma assinatura encriptada na qual se podiam ler várias coisas, entre elas ‘Pedro Colón'”, diz Fernando Branco à EFE.

A biografia de Colombo assinala que o navegante chegou a Portugal em 1476, a nado, depois de um naufrágio, o que reforçaria a tese que agora vai ser posta à prova.

O grupo de investigadores da Universidade de Coimbra e do IST vai agora analisar uma amostra de ADN extraído dos ossos do primo directo de Pedro Ataíde e compará-lo com o ADN do segundo filho do navegador, Hernando, que foi sequenciado em 2006, em Espanha.

“Estou quase certo de que o seu nome era Pedro Colón. Falta comprovar se existe relação com Pedro Ataíde

“, sustenta Fernando Branco. Todavia, esta análise só será possível se os ossos do primo de Ataíde estiverem em bom estado, o que se desconhece porque ainda não foi aberta a campa onde está sepultado.

Os investigadores esperam poder fazê-lo depois do Verão, após conseguida a autorização das entidades oficiais para abrir a sepultura, um processo que se arrasta há vários anos.

“Primeiro será feita uma análise para corroborar que é um homem e que tem uma idade compatível. Depois retirar-se-á uma amostra óssea para realizar a análise médica”, explica à EFE a antropóloga forense Eugénia Cunha, investigadora da Universidade de Coimbra.

Teorias para todos os gostos

A tese de Fernando Branco relativamente a Cristóvão Colombo, que já foi reconhecida pela Academia de História Portuguesa, coloca em xeque a origem genovesa do navegador, ainda que não seja a única que aponta que ele nasceu em Portugal.

O investigador português Manuel Rosa, radicado nos EUA, assegura que o descobridor da América nasceu na ilha da Madeira e que era filho de um Rei polaco derrotado pelo Império Otomano.

Outra hipótese assinalava que Colombo nasceu no Alentejo, em Cuba, e que foi um espião ao serviço do Rei João II que tinha como missão afastar os espanhóis do caminho até às Índias.

Fora de Portugal, aponta-se a origem espanhola do navegador, havendo várias teses de que é galego e catalão, mas também teorias de que seria da Estremadura, da Andaluzia ou até do País Basco. Também há referências a possíveis nacionalidades inglesa, grega, norueguesa e até croata, entre outras.

Uma das mais populares teorias, no entanto, apresenta Cristóvão Colombo como sendo Salvador Gonçalves Zarco, nascido em Cuba, no Alentejo, filho ilegítimo do Duque de Viseu e de uma filha de João Gonçalves Zarco.

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