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O primeiro-ministro, António Costa, com o ministro das Finanças, Mário Centeno

O plano desenhado por Mário Centeno para o Orçamento poderá obrigar a um grande aumento da dívida.

Um relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) enviado à Assembleia da República mostra que o Estado vai ter uma fatura de 11 mil milhões de euros a mais para que possa ser reduzida ou eliminada a austeridade pós-resgate da troika.

Para uma redução mais lenta do défice público, entre 2016 e 2019 será necessário financiar nos mercados 17,1 mil milhões de euros – um acréscimo de 10,9 mil milhões de euros face aos planos tornados públicos há quatro meses, que apontavam para 6,2 mil milhões.

Em vez do défice previsto de 1,8% do PIB no final deste ano, o Executivo socialista aponta para um deslize de 2,8% nas contas, um valor que obriga Portugal a aumentar os níveis de endividamento em cerca de dois mil milhões de euros.

A UTAO destaca que “o défice orçamental do Estado fixar-se-á em cinco mil milhões de euros, 3,8 mil milhões de euros e 3,1 mil milhões de euros em 2017, 2018 e 2019

, respectivamente”, o que configura “uma revisão em alta face à última previsão” comunicada pelo IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública aos investidores em setembro.

Para promover a recuperação dos rendimentos das famílias e assim estimular um maior consumo interno na economia portuguesa, o PS anunciou uma série de medidas que vão aumentar a despesa pública relativamente aos gastos previstos pelo anterior Executivo, penalizando o défice orçamental.

Além disso, o Governo de António Costa assumiu para o banco Banif uma solução que irá obrigar ao registo de mais despesa pública além da já aplicada na instituição financeira para evitar o seu colapso.

Ao todo, entre 2016 e 2019, o IGCP terá de financiar 73 mil milhões de euros – quase tanto como o dinheiro pedido emprestado à troika.

ZAP