Paulo Cunha / Lusa
O acidente que levou ao descarrilamento do Alfa Pendular em Soure, na sexta-feira, poderia ter sido evitado caso as recomendações tivessem seguidos.
Um Alfa Pendular descarrilou na tarde de sexta-feira em Soure, Coimbra. O acidente causou duas mortes e 43 feridos. O comboio embateu com uma máquina de trabalho, um veículo de conservação de catenária, que desrespeitou um sinal vermelho e entrou na via principal no momento em que o Alfa Pendular seguia a 190 quilómetros por hora.
O jornal Público escreve que havia antecedentes que não foram valorizados pela Infraestruturas de Portugal (IP) e que, caso contrário, poderia ter evitado o acidente. A 20 de janeiro de 2016, um veículo da IP também ultrapassou um sinal vermelho na estação de Roma-Areeiro, em Lisboa.
Numa investigação levada a cabo pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), descobriu-se que esta era uma prática regular. Em seis anos, verificou-se esta situação 13 vezes. Mais duas durante o período de investigação.
Assim, o GPIAAF estabeleceu oito recomendações, das quais três não viriam a ter seguimento. O gabinete pedia mais formação aos condutores daqueles veículos de serviço e a instalação o “Convel” (Controlo de Velocidade) naquelas composições.
Como tal, o acidente de Soure foi causado por um desrespeito de recomendações, que se verificou várias vezes no passado, mas que nunca foi devidamente punido.
A IP anunciou estar atualmente a “colaborar com o GPIAAF no apuramento das causas e responsabilidades neste trágico acidente e agirá em conformidade com as suas conclusões”.
O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) apenas dispões de sete técnicos responsáveis pela segurança ferroviária. A falta de recursos humanos já levou a Comissão Europeia a notificar o Governo a resolver a situação.
“Esta carência de recursos humanos do IMT, transversal a toda a Administração Pública e, em especial, nesta área, já tinha sido identificada” e será “delineada uma estratégia conjunta para suprir as necessidades”, disse fonte oficial do Ministério das Infraestruturas ao Público, em maio do ano passado.
A 20 de abril, um Alfa Pendular embateu num camião numa passagem de nível, em Vale do Santarém. Uma situação semelhante já tinha acontecido em 2016. Na altura, após investigação, o GPIAAF também emitiu recomendações que não viriam a ser seguidas e que levaram ao acidente deste ano, que vitimou o ajudante do motorista.
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Estão a tentar branquear a responsabilidade da seguradora da viatura. A conta é enorme e a vontade de pagar é ínfima.