O Tribunal da Relação do Porto absolveu os quatro médicos que não diagnosticaram um tumor cerebral a uma jovem que acabou por morrer.
O caso de Sara Moreira, a jovem de 19 anos que morreu com um tumor na cabeça depois de ter estado 11 vezes nas urgências, foi tornado público em 2016.
A jovem, natural de Recarei, Paredes, deu entrada nas urgências do Hospital Padre Américo e o diagnóstico foi sempre “estado de ansiedade”. Apesar de ter fortes dores de cabeça, vómitos, perdas de consciência e dificuldade em controlar a urina, nunca foi submetida a uma tomografia axial computorizada (TAC) ou a uma ressonância magnética. Acabaria por morrer, em 2013, com um tumor na cabeça com 1,670 quilogramas.
Segundo o jornal Público, o Tribunal da Relação do Porto absolveu os quatro médicos que não diagnosticaram o tumor cerebral, confirmando a sentença do tribunal de primeira instância em julho do ano passado.
Os juizes desembargadores defendem que, apesar de os profissionais não terem pedirem exames de diagnóstico que teriam permitido perceber que a jovem tinha um tumor, seria necessário existir dolo
para haver condenação.Citada pelo diário, a advogada da família da vítima, Filomena Pereira, lamentou que não tivesse sido tido em conta o parecer do Conselho Médico-Legal, que “considerou ter havido violação da leges artis [regras que o médico tem a obrigação de conhecer tendo em conta o estado da ciência]”.
De acordo com o matutino, há ainda duas ações com pedidos de indemnização em curso no Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel, contra o hospital, e no cível, contra os quatro médicos.
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"Ansiedade" este é o prognóstico que geralmente os médicos fazem quando desconhecem ou não se interessam em aprofundar os motivos das queixas dos pacientes.