Erik S. Lesser / EPA

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse segunda-feira que vai manter as fronteiras encerradas até que a situação da pandemia da Covid-19 na Europa melhore.

“Estamos a analisar [a anulação do veto que impede a entrada nos EUA de viajantes provenientes da Europa] e depende do tempo que demorar a Europa a curar-se. Itália está a começar a recuperar. Fico contente de ver isso com o meu amigo, o primeiro-ministro”, sublinhou, referindo-se ao chefe do Governo italiano, Giuseppe Conte.

Durante uma conferência nos jardins da Casa Branca, Trump qualificou de “trágico” o impacto do surto do novo coronavírus na Europa, enumerando Itália, Espanha, França e Alemanha como exemplos, noticiou a agência Lusa.

“Em todos os países ali, é trágico, mas muito em breve veremos o que sucede na Europa e, com certeza, queremos fazê-lo [levantar o veto do encerramento de fronteiras] e eles também o querem muito”, revelou.

Durante a mesma conferência – desmarcada e depois remarcada novamente -, quando questionado pelos jornalistas sobre as declarações em que sugeriu a possibilidade de recorrer a injeções de desinfetante para curar a Covid-19 e sobre o pico do número de chamadas para centros de controlo de envenenamento, rejeitou qualquer responsabilidade.

De acordo com o Observador, que cita a NPR, na sexta-feira a linha de emergência de Nova Iorque para envenenamento recebeu um número de chamadas muito superior ao normal, incluindo relatos de exposição a lixívia e desinfetantes. No mesmo dia, a câmara municipal do Estado apelou aos habitantes que não consumissem lixívia para combater a Covid-19.

A ABC avançou que no Estado de Maryland, a linha de emergências recebeu mais de 100 chamadas a pedir informações sobre o consumo de desinfetantes para a Covid-19, levando o governo do Estado a emitir um alerta: “Em nenhuma circunstância, algum produto desinfetante deve ser administrado no corpo através de injeção, ingestão ou outra via”.

China deve “compensar danos da pandemia”

Na mesma conferência, Trump reiterou que a China deve ser responsabilizada pela dimensão que a pandemia assumiu, apontando para a possibilidade de pedir a Pequim o pagamento de biliões de dólares em compensação pelos danos causados.

“Não estamos contentes com a China”, disse, acrescentando que a doença “poderia ter sido parada na fonte e não se ter espalhado pelo mundo”. “Existem várias maneiras de responsabilizá-los, estamos a conduzir uma investigação muito séria” sobre esse assunto, indicou Trump.

Durante a conferência, falou sobre os planos para reabrir a economia. “Rápido, mas em segurança”, afirmou o Presidente, que esta segunda-feira convidou para a Casa Branca um conjunto de administradores de grandes farmacêuticas, laboratórios e empresas de distribuição e supermercados para começar a planear a reabertura dos EUA.

“Construí a maior economia na história do mundo. Agora aconteceu isto que nunca devia ter acontecido e tivemos de fechar a economia”, disse o Presidente dos EUA, frisando que o país tinha “os melhores níveis de emprego”, que espera recuperar ao longo do ano e que o quarto trimestre e o próximo ano sejam “excelentes”.

Trump ignorou alertas dos espiões sobre a Covid-19

O Presidente terá ignorado os alertas dos espiões sobre a ameaça do novo coronavírus, avançou o Washington Post, adiantando que as agências de inteligência norte-americanas emitiram, em janeiro e em fevereiro, mais de uma dúzia de avisos sobre a existência de um vírus na China, informação minimizada pela Casa Branca, uma vez que Trump não tem paciência para ler relatórios. Trump ainda não foi confrontado com a notícia.

Os EUA registaram 1.303 mortos nas últimas 24 horas devido à pandemia, mostrou a contagem da Universidade Johns Hopkins. No total, 56.164 pessoas morreram no país, com o número de infetados a subir para 987.467, com cerca de 111 mil pessoas recuperadas. Continuam a ser o país com registo de mais mortos e de casos confirmados.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou cerca de 209 mil mortos e infetou quase três milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 818 mil doentes foram considerados curados.

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