As abelhas rainhas sem ferrão correm um maior risco de ser executadas pelas abelhas operárias se acasalarem com dois machos em vez de um, revelou um estudo.

A investigação, conduzida por cientistas da Universidade de Sussex, no Reino Unido, e de São Paulo, no Brasil, revela que existem várias razões que podem levar a colónia a virar-se contra a rainha, mas a principal estará associada a uma baixa qualidade na descendência.

De acordo com a publicação, um fator determinante para a eventual morte da rainha estaria associado à genética da determinação do sexo e o risco de ocorrer um “emparelhamento correspondente” – situação que acontece quando o alelo sexual masculino é o mesmo que um dos dois alelos da abelha rainha, nota o Science Daily.

O espécime de um ovo de abelha pode tornar-se masculino ou feminino dependendo de uma posição genética, o locus da determinação sexual.

Os machos comuns surgem de um óvulo não fertilizado e só têm um conjunto de cromossomas da progenitora: ou seja, só possuem um alelo sexual. Caso o óvulo seja fertilizado, o espécime terá dois conjuntos de cromossomas, um de cada progenitor.

Os alelos sexuais são diferentes quando se trata de uma fêmea e, caso sejam iguais, trata-se de um macho diplóide – uma abelha que nemé obreira, nem se pode reproduzir. Na prática, estes machos diplóides são inúteis para a colónia.

A rainha, recorde-se, é a única na colmeia capaz de se reproduzir, as obreiras são inférteis.

Num “emparelhamento pareado”, 50% dos óvulos fertilizados com o espera de um macho podem ser machos diplóides e, se uma rainha estiver emparelhada com dois machos em simultâneo, é duas vezes mais provável que produza estes espécimes.

Quando aparecem machos diplóides, as obreiras de uma colónia percebem que algo não está bem e, por norma, acabam por matar a sua rainha pouco depois.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada American Naturalist.

[sc name=”assina” by=”ZAP” ]