Nuno André Ferreira / Lusa
Helicóptero Kamov Ka-32A-11BC da frota da Protecção Civil no combate a um incêndio
Portugal continua a arder e a previsão para os próximos dias “é assustadora”, alerta o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, lançando críticas em várias direcções e lembrando que “há muito interesse por detrás” dos fogos.
Ouvido no Parlamento, por causa da crise dos incêndios que continua a assolar o país, Jorge Gomes frisou que “há muito interesse por detrás disto tudo” e que “há quem diga que a indústria do fogo dá dinheiro a muita gente”.
Declarações citadas pelo jornal Público que nota que o secretário de Estado falou em concreto do caso do incêndio de Águeda, que continua a arder desde o fim-de-semana e que deflagrou pelas 4 da manhã “com uma frente de cinco quilómetros de extensão”.
“Como se faz isto? Que recursos foram usados para fazer uma frente de arranque desta dimensão?”, questiona Jorge Gomes, notando a mão criminosa que está por trás de muitos dos incêndios.
O governante ainda deixa críticas à Justiça pelo facto de os incendiários que são apanhados em flagrante delito não ficarem em prisão preventiva e queixa-se da extinção dos Governos Civis, considerando que estes eram “uma peça fundamental que conciliava muitos esforços”.
Assumindo que os bombeiros estão “exaustos”, Jorge Gomes ainda avisa que “a previsão para os próximos dias é assustadora”, por causa das condições meteorológicas, já que se espera um aumento das temperaturas no fim-de-semana.
Ex-secretário de Estado de Costa assume “erro grave”
Entretanto, o Observador dá nota das críticas do ex-secretário de Estado de António Costa, Ascenso Simões, quando o actual primeiro-ministro foi ministro da Administração Interna, relativamente a um plano de prevenção de incêndios de 2005.
Ascenso Simões, que foi secretário de Estado da Administração Interna de 2005 a 2007, considera que foi “um erro grave” não ter colocado em marcha esse Plano que apostava na prevenção acima do combate.
Uma ideia que o ex-secretário de Estado defendeu na sua tese de mestrado “Uma visão holística na segurança: Defesa da Floresta 2003/2007”, apresentada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 2015.
A Proposta Técnica de Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios foi apresentada ao Governo de José Sócrates, em 2005, depois de ter sido pedida pelo Executivo de Pedro Santana Lopes. O principal ponto consistia em transformar a prevenção no objectivo maior do Governo.
Quando esta proposta estava em discussão, o então ministro da Administração Interna António Costa anunciou a ideia de lançar um concurso público para a compra ou aluguer de meios aéreos de combate aos incêndios, conforme vinca o Observador.
A actual ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, anunciou que o Governo vai criar um grupo de trabalho para preparar uma reforma da floresta, no sentido de evitar a onda de incêndios que todos os anos assola Portugal.
ZAP
Ó Senhor Secretário de Estado, Vossa Excelência ainda não entendeu que estas maldades são feitas à semelhança das políticas de terra queimada que o Estado (Governo incluído) promove. Neste momento os Portugueses só têm três caminhos: Ou comem do empréstimo, ou emigram, ou suicidam-se. Miséria!