Cirurgiões estão a preparar-se para realizar os primeiros transplantes de pénis dos Estados Unidos, numa tentativa de ajudar os veteranos de guerra com sequelas físicas.

A primeira cirurgia durará 12 horas, durante as quais os médicos vão ligar nervos e vasos sanguíneos importantes para restaurar as funções urinárias e sexuais.

A equipa da Universidade Johns Hopkins planeia realizar a mesma operação em 60 veteranos de guerra. O procedimento acontece depois do primeiro transplante de pénis bem-sucedido da História ter sido realizado na África do Sul, no ano passado.

Entre 2011 e 2013, 1.367 militares norte-americanos sofreram ferimentos nos genitais em missões no Iraque e no Afeganistão, de acordo com o Registo de Trauma do Departamento de Defesa. A maioria destes soldados tinha menos de 35 anos e perdeu parte ou a totalidade do pénis ou dos testículos.

Um estudo publicado em 2014 no Journal of Sexual Medicine mostrou que cerca de 7% dos soldados com menos de 40 anos sofreram ferimentos nos genitais durante o serviço militar.

Muitos dos ferimentos foram causados por explosões de bombas improvisadas – artefactos cada vez mais utilizados nas zonas de combate -, assim como por disparos de armas ou traumatismos.

Os especialistas afirmam que, apesar do aumento desse tipo de ferimento nos últimos anos, as suas consequências continuam a ser pouco debatidas.

A operação

A equipa de cirurgiões afirmou que o procedimento experimental será feito com o pénis de um dador morto, com permissão da família.

Assim como qualquer grande cirurgia, esta envolve riscos, como infeções e hemorragias durante o procedimento.

Há ainda os efeitos colaterais de se tomar medicamentos anti-rejeição pelo resto da vida, que ainda estão a ser avaliados.

Em grandes procedimentos cirúrgicos, como transplantes de mãos ou da face, a maior preocupação era que o corpo do paciente não rejeitasse o órgão doado.

Os cientistas afirmaram que vão observar de perto a saúde física e psicológica dos pacientes e reunir informações que ajudarão a decidir se os transplantes de pénis poderão ser adotados de maneira mais ampla.

O médico Gerald Brandacher, da Universidade Johns Hopkins, disse ao jornal New York Times: “Os veteranos dizem que querem sentir-se inteiros novamente. Este transplante pode restaurar coisas muito subtis a que muitos de nós não damos valor”.

Gerações futuras

Apenas dois transplantes de pénis foram oficialmente realizados até hoje.

Um deles aconteceu na China em 2006, e os registos sugerem que a cirurgia correu de forma normal, mas o pénis foi depois rejeitado pelo organismo do paciente.

A outra operação – ocorrida na África do Sul – envolveu um jovem cujo pénis tinha reduzido para um centímetro após uma circuncisão mal realizada.

O caso fez com que o tema do transplante de pénis gerasse uma discussão ética – pelo fato de a cirurgia não ter como objetivo salvar vidas, como no caso de um transplante de coração, por exemplo.

Informações recentes sobre o paciente da África do Sul dão conta que o transplante teve sucesso – e que este já até teve um filho.

ZAP / BBC