André Corrêa d'Almeida / Facebook
André Corrêa d’Almeida, director adjunto do Mestrado em Administração Pública na Universidade de Columbia, tem alertado para o problema da corrupção em Portugal pelas ruas de Nova Iorque.
Um professor português da Universidade de Columbia, nos EUA, tem em marcha uma campanha contra a corrupção em Portugal, com várias acções nas ruas de Nova Iorque.
De guitarra em punho e a cantar “Imagine there is no corruption”, numa versão da canção de John Lennon, o professor André Corrêa d’Almeida que é director adjunto do Mestrado em Administração Pública na Universidade de Columbia, tem alertado para o problema da corrupção em Portugal pelas ruas de Nova Iorque.
Do famoso Central Park ao distrito financeiro de Wall Street, o professor que é doutorado pela Universidade de Denver, mestre em gestão pela Universidade de Saint Joseph (China) e licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, pôs em marcha uma campanha nas ruas sob o lema #FreeMycountryFromCorruption (Libertem o meu país da corrupção).
André Corrêa D´Almeida explica esta sua campanha com o facto de, para ele, a corrupção ser “a barreira mais importante ao desenvolvimento” de Portugal, conforme declarações à TSF.
O seu interesse pelo tema começou quando coordenou o livro “Reforma do Sistema Parlamentar em Portugal: Análises e Instrumentos para um Diálogo Urgente”, como explica à mesma Rádio.
Estas suas acções de rua em Nova Iorque são uma forma de participar na resolução do problema e, sendo “emigrante nos EUA há mais de quinze anos“, de também se manter “ligado às questões do desenvolvimento em Portugal”.
André Corrêa D´Almeida que também foi conselheiro sénior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Nações Unidas considera que “o desvio de dinheiro pela corrupção é a principal causa da pobreza de milhões de portugueses, do mau funcionamento dos serviços públicos por falta de recursos, da injustiça e da desigualdade generalizada”.
Além disso, diz à TSF que os custos dos casos conhecidos de corrupção em Portugal constituem “mais de 30% da dívida pública portuguesa“.
“Portugal é um País demasiado pequeno para se roubar tanto”, lamenta, frisando que “o país não gera riqueza, ao contrário dos Estados Unidos, onde há regras para combater a corrupção e os tribunais funcionam”.
No seu perfil do Facebook, André Corrêa D´Almeida critica a “Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020-2024” que foi apresentada pelo Governo e que está em fase de discussão pública, considerando que “não é uma estratégia”.
“Estas 78 páginas muito vagas/genéricas reflectem, quanto muito, uma visão/ideal de futuro, mas não um plano de acção específico que designe quem faz o quê, com quem, quando, com que recursos, com que objectivos, e com que mecanismos de avaliação”, analisa, concluindo que Portugal “continua sem uma estratégia nacional de combate à corrupção”.
O professor e investigador tem um manifesto de 13 pontos que desenvolveu com outros autores, onde avança algumas medidas para acabar com a corrupção e que são partilhadas pela TSF.
Entre essas medidas estão a “a agregação numa alta autoridade nacional contra a corrupção, de todas as unidades que estão dispersas, seja no Tribunal Constitucional, na Assembleia da República ou até em algumas instituições académicas, em torno de uma entidade mais robusta, mais bem financiada e equipada, que estude e acompanhe o problema”.
Além disso, André Corrêa D´Almeida defende uma maior intervenção do Presidente da República, notando que este “deve estar muito mais presente”, e reforça que deve haver “regras muito mais claras sobre os regimes de exclusividade e conflitos de interesses na Assembleia da República”.
“É impensável que certos escritórios de advogados sejam simultaneamente representantes do estado e representantes de interesses do estado em momentos em que estão, por exemplo, a ser negociadas parcerias público-privadas”, constata à TSF.
[sc name=”assina” by=”SV, ZAP”]
Concordo em tudo e ainda mais exitirá de censura. Esta lei Combate a corrupçao 2020-2024 nao vai adiantar muito está ferida de ingenuidade a partida e tambem com É impensável que certos escritórios de advogados sejam simultaneamente representantes do estado e representantes de interesses do estado em momentos em que estão, por exemplo, a ser negociadas parcerias público-privadas”, constata à TSF.