Rui Manuel Farinha / Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa confrontado por cidadã revoltada na Feira do Livro do Porto.

“Temos que pagar tudo e ninguém nos ajuda.” Foi o desabafo que Marcelo Rebelo de Sousa teve que enfrentar de uma mulher revoltada na Feira do Livro do Porto. Enquanto a cidadã lhe pedia para pôr “a andar essa gente” do Governo, o Presidente recomendava-lhe para dizer “aos portugueses para votarem noutro Governo”.

O insólito episódio ocorreu nesta sexta-feira, durante a inauguração da Feira do Livro do Porto, quando Marcelo Rebelo de Sousa seguia a pé com uma comitiva oficial.

Foi então que apareceu uma mulher revoltada com a situação actual, de telemóvel em riste, sempre a gravar, para confrontar o Presidente da República com a ideia de que “há que mudar as coisas“.

“Porque é que o Governo tem mais poder do que o Presidente? Porque é que o senhor não muda as coisas?”, foram algumas das perguntas que a cidadã revoltada deixou.

“Porque é que não põe a andar essa gente que nos está a fazer morrer? Porque é que eu tive que assistir ao suicídio de um colega meu porque não aguenta mais com a pressão do país?, atirou ainda a mulher.

“Tiram-nos as tripas”, afiançou também, frisando “temos que pagar tudo e ninguém nos ajuda”. “Ajudam a TAP, os hotéis, e a nós que somos micro-empresários não nos ajudam”, queixou-se.

“Porque é que eu tenho que comer pão?”, acrescentou no seu protesto, lamentando que “o salário mínimo continua nos 530 euros”. “Agora com a pandemia é 300 euros. Quer viver com 300 euros por mês?”, perguntou também a Marcelo.

O Presidente da República foi ouvindo e respondendo num tom conciliatório, explicando que “os portugueses votaram neste Governo” e que “quem vota é o povo”. “Diga aos portugueses para votarem noutro Governo“, recomendou também.

Entre os argumentos do Presidente, a cidadã foi repetindo “chega”. “É um chega, entendeu?”, reforçou.

Comentando o episódio, Marcelo vincou que são os ossos da democracia e da “liberdade”.

Para amenizar o ambiente, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, propôs a Marcelo “beber um fino”. Mas antes disso, o Presidente da República ainda quis ir “às meninas da FNAC”, “um atractivo” inevitável da Feira do Livro, como vincou.

Situação de contingência é para prevenir o pior

À margem da Feira do Livro, o Presidente da República falou da situação de contingência que volta a vigorar em Portugal, a partir de 15 de Setembro, realçando que a medida visa prevenir os portugueses para diferentes situações, desde “o regresso de férias” ao “início de aulas”, passando pelo “aumento do turismo” e o “reinício das actividades mais diversas, inclusive desportivas”.

“Há que prever que pode haver factores e causas que conduzam àquilo que é um pico ou picos de valores superiores em relação a infectados pela covid-19″, apontou Marcelo.

Antes disso, o Presidente da República já tinha pedido diálogo para a viabilização do Orçamento do Estado para 2021, alertando que “não vai alinhar em crises políticas”.

Desenganem-se os que pensam que, se não houver um esforço de entendimento, vai haver dissolução do Parlamento no curto espaço de tempo que o Presidente tem para isso, que é até ao dia 8 de Setembro”, reforçou.

“Isso é uma aventura. Em cima da crise da saúde e da crise económica uma crise política, era a aventura total“, avisou ainda, concluindo que “uma crise política ou a ameaça de crise política é ficção”.

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