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Roturas, infiltrações e consumos não cobrados levam a que as empresas municipais de gestão de água tenham perdas comerciais da ordem dos 30%, na média do país. Mas há casos em que o valor chega aos 70% de água perdida.
Estes dados são divulgados pelo jornal Público que traça um retrato muito desigual do país, com os exemplos de Aguiar da Beira, que “perde mais de 70% da água que entrou na sua rede e que estava pronta para consumo público”, e o de Boticas, que “regista apenas 2% de perdas“.
Mas, no todo do país, é evidente o desperdício, com “mais de metade da água” a perder-se em roturas e infiltrações em 25 municípios, e com outros 29 municípios a revelarem perdas “entre 40 e 50%”, conforme atesta o Público. Somente 15 municípios “conseguem ter perdas inferiores a 10%”, sublinha o jornal.
Estes números constam do último relatório anual dos serviços de águas e resíduos de 2016, reportando-se a dados de 2015, que está disponível na base de dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).
De notar que neste documento faltam dados relativos a “mais de 20 municípios” que não os facultaram, pelo que o cenário real pode ainda ser pior do que aquele que é aqui traçado.
“Entidades gestoras não têm dinheiro”
Este desperdício de água flagrante é tanto mais preocupante num ano de especial seca. Um problema que se resolveria com a “capacitação técnica” das empresas gestoras e com o fim dos consumos gratuitos, salienta o presidente da ERSAR, Orlando Borges, no Público.
“Há entidades que não cobram água e outras têm preços simbólicos. Grande parte das entidades em baixa não recupera os custos. Como é que podem recuperar?”, questiona Orlando Borges. “As entidades gestoras não têm dinheiro” para resolver os problemas de roturas e infiltrações, conclui.
Orlando Borges atesta que “66,6 mil quilómetros de rede (dos mais de 100 mil) têm mais de 10 anos”. “Os indicadores internacionais aconselham que a cada cinco anos se faça reabilitação, no mínimo a 1% da rede ao ano. Estamos a fazer metade do mínimo que devíamos”, conclui.
O Público atesta que os municípios perderam, em 2016, 164 milhões de m3 de água devido a roturas e infiltrações, fornecendo mais 77 milhões de m3 sem o devido pagamento.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
Conheço um hospital do Estado no centro do país que tem o contador avariado e que por cada 100m3 de água consumida , só debita 10m3.
O mais caricato é que os serviços do Ministério da Saúde , consideram esse hospital o mais eficiente do país, sem perceberem nem questionarem o porquê dessa tão grande "eficiência"
A água que não é facturada e consumida, claro que vai para as "perdas" dessa entidade gestora.
É o chamado público a enganar o próximo