PSD / Flickr

Luis Marques Mendes

A polémica em torno das celebrações do 25 de Abril no Parlamento é “desnecessária” e foi fomentada pela “arrogância” do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues. É Marques Mendes quem o diz, defendendo contudo a realização da habitual cerimónia comemorativa porque “o 25 de Abril não tem lepra”.

“Faz todo o sentido comemorar o 25 de Abril na Assembleia da República”, entende Marques Mendes no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias. “Por que razão não haveria de reunir para comemorar o 25 de Abril? Que eu saiba, o 25 de Abril não tem lepra”, salienta o ex-líder do PSD, lembrando que o Parlamento continua a funcionar, com menos deputados e a cumprir as regras de distanciamento social.

Numa altura em que há alguma revolta contras as comemorações, havendo uma petição online a pedir o cancelamento da cerimónia, Marques Mendes entende que a polémica só foi potenciada pela atitude de Ferro Rodrigues. “Houvesse da parte do presidente da Assembleia da República um pouco menos arrogância e um pouco mais de bom senso” e não tinha havido tanto burburinho em torno do caso, considera.

Marques Mendes defende que Ferro Rodrigues devia ter apostado numa cerimónia com um quinto dos deputados e apenas o Presidente da República como convidado. “Se tivesse sido feita desta maneira, não teria havido polémica. Acho que o presidente da AR ainda estava a tempo de corrigir esta situação”, conclui.

Já quanto às celebrações do Primeiro de Maio, Marques Mendes manifesta-se contra, considerando que, neste caso, será mais difícil conseguir manter o distanciamento social.

“Recuperação pode ser rápida”

No seu espaço de comentário, Marques Mendes também falou da forma como António Costa tem gerido com a pandemia de Covid-19, considerando que o primeiro-ministro é “o maior beneficiário político da gestão desta crise”. Antes da pandemia “estava em sérias dificuldades, parecia um primeiro-ministro cansado e esgotado

“, mas “mudou” e ganhou “nova alma”, considera o comentador.

Quanto a Rui Rio, Marques Mendes também o avalia positivamente, considerando, contudo, que perdeu margem de manobra para o futuro, “não por culpa própria, mas por mérito de António Costa”. “Acho que Rui Rio já percebeu este filme”, salienta o comentador, notando que vai ter de aprovar os Orçamentos do Governo socialista e que “não vai ser fácil criticar o Governo na gestão da crise económica porque a crise não é nacional, é global”.

Marques Mendes também considera que PCP e Bloco de Esquerda vão passar “verdadeiramente” à oposição, vaticinando o fim da “geringonça orçamental”.

Sobre a austeridade que se adivinha, Marques Mendes acredita que se vai sentir mais ao nível do sector privado do que no público. “Não é preciso uma austeridade de ajustamento no Estado”, constata, frisando que esta é uma crise “excepcional e irrepetível”. “Exige um novo pico de dívida, é verdade, mas esse é um encargo que pagar-se-á ao longo de 30, 40 anos, com pequenas poupanças, ano a ano”, diz.

“Não tenho dúvidas que vai haver um aumento de impostos”, refere ainda, prevendo, contudo, que a recuperação económica “pode ser rápida”. “No fim do próximo ano, já podemos estar novamente a crescer 5%, com um défice abaixo dos 2% e o desemprego a baixar para os 8%. Dentro do mal, o mal menor”, conclui.

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