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Oito meses depois do arranque da sua ação “Pague menos IMI”, a associação para a defesa do consumidor DECO afirma que os portugueses estão a pagar IMI em excesso, por a idade e o valor de construção dos imóveis não serem revistos de forma automática.

De acordo com os cálculos da DECO, divulgados esta quinta-feira no seu site, as Finanças estão a desviar indevidamente cerca de 244 milhões de euros.

Joaquim Rodrigues da Silva, jurista e porta-voz da ação, explica que “o nosso simulador contabilizou que, em média, a poupança que cada contribuinte poderia obter, se a lei fosse justa, seria de 18,75%”.

“Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, o Estado arrecadou, em 2013, 1300 milhões de euros em IMI. Uma vez que, desse bolo, 18,75% estão a ser cobrados em excesso, 244 milhões de euros é o montante exigido a mais aos contribuintes”, acrescenta o jurista da DECO.

Em finais de abril, a associação de defesa do consumidor solicitou uma audiência à ministra das Finanças, para que a situação fosse corrigida. Mas, à semelhança de outras comunicações que fez chegar sobre a cobrança excessiva de IMI, não obteve qualquer resposta.

“Somos obrigados a concluir que não existe vontade nem interesse do Governo em pôr fim a uma injustiça fiscal

que, ano após ano, penaliza os portugueses”, afirma Joaquim Rodrigues da Silva.

“Aliás, basta ver que o Governo teve oportunidade de se emendar quando entregou, a passada semana, a proposta do Orçamento do Estado para 2015. Mas não o fez”, acrescenta.

A DECO aconselha os proprietários de imóveis a visitarem o site Pague Menos IMI, criado para esta acção, simularem o seu caso e subscreverem o serviço de alertas.

Munido da caderneta predial, cada contribuinte pode verificar se lhe compensa pedir a actualização dos dados da casa.

Mas esta actualização só pode ser feita se a última avaliação do imóvel tiver ocorrido há pelo menos três anos inteiros — uma espera, no entender da DECO, injustificável.

“Não só o Governo não faz o seu trabalho, como ainda impede os contribuintes de corrigirem uma ineficiência que os prejudica”, denuncia a associação.

Enquanto a lei não for alterada, prevendo a revisão automática e anual dos dados, a DECO oferece aos proprietários um serviço de alertas que avisa da data certa para entrega do pedido de actualização

Os ‘felizardos’ que possam pedir já a actualização do valor de construção e da idade da casa têm de deslocar-se ao serviço de Finanças da área do imóvel com a máxima rapidez.

A associação alerta que “para poderem poupar no IMI a pagar em 2015, é essencial que se apressem. Só têm até ao final do ano. Caso efectuem o pedido depois de 1 de janeiro, só poderão poupar em 2016.”

Todos os proprietários podem ainda juntar-se à manifestação online Pague Menos IMI promovida pela associação. O número de portugueses que protestar está visível no contador que a associação disponibiliza para o efeito.

O objectivo da DECO é insistir junto do Governo e da Assembleia da República, mostrando-lhes que os portugueses estão cientes desta situação penalizadora e que exigem a sua imediata rectificação.

ZAP