Michelle Carter foi condenada a cumprir 15 meses de prisão por homicídio involuntário por incentivar o suicídio do namorado. Depois de vários recursos, o tribunal confirmou a sentença. Michelle, 22 anos, foi presa na segunda-feira.

O caso remonta a 2014. Michelle, de 17 anos, sabia que Conrad, o namorado de 18 anos, não estava a passar por um bom momento. O jovem sofria de depressão e estava a pensar em suicidar-se, o que acabou por acontecer nesse mesmo mês.

Numa sequência insistente de mensagens, Michelle incentivou-o e convenceu-o a fazê-lo. Conrad morreu no dia 13 de julho de 2014, sufocado com monóxido de carbono, dentro do seu próprio carro.

Aqui não és feliz, nunca serás feliz. No céu, serás feliz. Limita-te simplesmente a fazê-lo”, escreveu Michelle nas mensagens que antecederam o acontecimento. “Não podes pensar, tens só de fazê-lo”.

Conrad, com dúvidas, chegou a sair do seu carro. Mas Michelle disse-lhe “volta a entrar” numa chamada telefónica. “Tu estás preparado, tudo o que precisas de fazer é ligar o motor para seres feliz e livre. Chegou a hora de parares de esperar”, diz Michelle. E Conrad entrou.

A polícia encontrou instruções sobre como preparar o suicídio nas mensagens enviadas pela jovem – em especial a quantidade de monóxido de carbono que Conrad devia inalar para morrer.

Segundo as conversas, Michelle manteve contacto constante com o namorado – até nos momentos finais da sua vida.

As mensagens foram divulgadas pela procuradoria quando o advogado de defesa de Michelle, Joseph Cataldo, apresentou uma moção para que as acusações fosse retiradas, alegando que as mensagens estavam protegidas pelo direito à liberdade de expressão garantido pela Constituição americana. O pedido foi negado pelo juiz .

Michelle Carter foi condenada a cumprir 15 meses de prisão por homicídio involuntário. A jovem permaneceu livre enquanto apelava da decisão, mas o tribunal de Massachusetts confirmou a condenação na semana passada. Michelle, agora com 22 anos, foi presa na segunda-feira.

É muito difícil determinar a causa legal no contexto do suicídio, mas havia evidências suficientes, escreveu o Supremo Tribunal de Justiça. Mesmo quando a vítima “confusa” e “vulnerável” conseguiu sair do veículo, “foi empurrado de volta para o carro pela sua namorada no plano suicida”, disse. “Depois de o convencer a voltar para o carro cheio de monóxido de carbono, ela não fez absolutamente nada para ajudá-lo

: não pediu ajuda ou disse para ele sair do carro enquanto o ouvia a morrer”.

À polícia, a jovem disse que tentou avisar a mãe de Conrad sobre os planos do filho, mas que não tinha o seu contacto.

Quando Michelle foi levada sob custódia, “não demonstrou nenhuma emoção percetível”, informou a Associated Press, “embora os seus ombros caíssem quando se levantou e se preparou para ser levada”.

Um advogado de Michelle disse ao The Washington Post que consideraria apelar o caso ao Supremo Tribunal dos EUA. “Estamos desapontados com a decisão, que adota uma narrativa que não acreditamos que a evidência apoie”, disse Daniel Marx, acrescentando que a decisão tem “implicações preocupantes para a liberdade de expressão, o devido processo legal e o exercício de discrição do Ministério Público. ”

Após a morte do namorado, Michelle criou uma conta no Twitter para celebrar a sua memória e organizou um jogo de beneficência para arrecadar fundos para entidades de assistência a jovens com depressão.

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