Manuel Araújo / Lusa
O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, volta a preconizar o fim dos carros a gasolina e gasóleo nos próximos anos, considerando mesmo que vão tornar-se numa peça de museu com a proliferação dos veículos eléctricos.
“Em 2035, vamos olhar para um veículo a combustão como a minha filha olha para a TV a preto e branco”, constata Matos Fernandes em declarações ao podcast “O Futuro do Futuro” do Expresso, reforçando que será “uma coisa que ela sabe que existiu”, mas já “muito rara”, como uma peça de museu.
Apontando que chegou ao local da conversa com o jornalista do semanário num carro eléctrico e que não se imagina “a andar na Área Metropolitana de Lisboa num carro que não seja eléctrico”, Matos Fernandes considera também que “todos os motoristas dos ministros se habituaram” a conduzir estes veículos e que já não querem outra coisa“.
“O futuro já é um bocadinho hoje”, constata ainda o ministro salientando que “a mudança já está a ser feita” pelos consumidores, por uma questão de “consciência ambiental”.
Matos Fernandes nota que há 5 anos, “só 1% dos veículos novos” que estavam no mercado eram eléctricos, enquanto que em Setembro passado, “14,6% dos veículos vendidos em Portugal, são eléctricos”.
Além das questões ambientais, o ministro sublinha ainda as vantagens económicas de investir num carro eléctrico, apontando que se “vai poupar muito ao longo dos anos”.
“Um quilómetro a electricidade custa cerca de 15% de um quilómetro a diesel ou a gasolina”, nota Matos Fernandes, realçando ainda que um carro eléctrico tem “cerca de um terço das peças de um motor a combustão” e que, por isso, as “necessidades de manutenção e o risco de avaria são muito menores“.
Mas o governante começa por aconselhar quem está a pensar comprar um carro que pondere se realmente precisa dele, nomeadamente se não tem transportes públicos que possam “satisfazer as suas deslocações”.
“Em média, 96% do tempo, um automóvel particular está parado“, sustenta o ministro, considerando que, nalgumas situações, investir num carro é “uma completa irracionalidade do ponto de vista da eficiência do funcionamento dos sistemas”.
Mas para quem precisa mesmo de carro, “se tiver disponibilidade financeira, vale muito a pena comprar um automóvel eléctrico”, recomenda Matos Fernandes.
O governante nota que mesmo considerando a grande “limitação” dos carros eléctricos existentes actualmente no mercado, ou seja, a sua autonomia, vale a pena o investimento.
Até porque “o mais frágil” dos veículos actuais tem uma “autonomia de 200, 250 quilómetros” e, por isso, “cobre largamente as deslocações diárias de 99% dos casos das pessoas, a não ser das que passam o dia a andar de carro, por exemplo, no sector da distribuição”, conclui.
Matos Fernandes já tinha dito, em declarações que geraram polémica, que “em 2050, não vamos precisar de ter um carro” depois de ter afirmado que os carros a diesel estão em vias de extinção.
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Tudo isto é altamente poético e quase que me vêm as lagrimas aos olhos, quando penso no futuro.
Aliás, o futuro vai ser uma maravilha, até se lembrarem de carregar com (ainda mais) impostos...