A imprensa espanhola avança que a Guardia Civil está a realizar uma inspeção em vários edifícios do Governo regional catalão, no âmbito da qual foram detidos 14 membros do governo, numa altura em que faltam 11 dias para o referendo independentista.
A Guardia Civil espanhola montou uma operação para revistar vários edifícios do Governo regional à procura de documentos relacionados com o referendo de 1 de outubro considerado ilegal por Madrid, por suspeitas de uso indevido de fundos públicos nos preparativos do referendo.
Fontes ligadas à investigação disseram à EFE que o número de detenções pode ainda vir a ascender a 17.
Fontes judiciais ligadas à investigação disseram à EFE que entre os detidos se encontram o secretário-geral da economia catalão, Josep Maria Jové Lladó, o secretário das Finanças, Josep Lluís Salvadó, Josué Sallent Rivas, responsável pelo Centro de Telecomunicações e Tecnologias de Informação (CCTI) e Xavir Puig Farré, do Gabinete dos Assuntos Sociais.
Outros detidos são Paul Furriol e Mercedes Martínez (ambos relacionados com o aluguer de um armazém onde supostamente se encontra material eleitoral), David Franco Martos (CCTI), David Palancad Serrano, do Gabinete de Assuntos Externos e Juan Manuel Gómez, do gabinete do Departamento de Economia e Finanças.
As buscas, ordenadas pelo Tribunal de Instrução nº 13 de Barcelona, realizaram-se, segundo a imprensa espanhola, citada pela TSF, nos departamentos (ministérios regionais) de Negócios Estrangeiros, Economia, Trabalho e Assuntos Sociais e na sede da vice-presidência.
As buscas já provocaram concentrações de protesto de cidadãos e de trabalhadores, em Barcelona, frente aos locais que estão a ser alvo das operações policiais, sobretudo junto aos departamentos de Economia e Trabalho.
O objetivo da Guardia Civil seria o de desativar o núcleo duro da organização do referendo à independência da Catalunha.
O presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, convocou para esta quarta-feira de manhã uma reunião dos membros do governo autónomo para a preparação de uma resposta às atuações da Guardia Civil. Os movimentos independentistas suspenderam os atos políticos que estavam agendados para esta quarta-feira.
O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com um PIB superior ao de Portugal, cerca de 7,5 milhões de habitantes, um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.
Em 2014, os independentistas organizaram uma “consulta simbólica” sob a forma de referendo não vinculativo na Catalunha, em que participaram 2,3 milhões de pessoas, 80% das quais pronunciaram-se pela independência.
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Isto vai tudo acabar mal...