Facundo Arrizabalaga / EPA

Kate e Gerry McCann, os pais de Maddie

Faz nesta quarta-feira, 3 de Maio, 10 anos que desapareceu Madeleine McCann, criança britânica que estava prestes a fazer 4 anos, e sobram as teorias e as suspeitas e faltam as provas para confirmar o que aconteceu.

O caso do desaparecimento de Maddie continua a surpreender o mundo, porque prossegue o mistério absoluto quanto ao que realmente lhe aconteceu.

Maddie estaria a dormir num apartamento do Ocean Club, na praia da Luz, em Lagos, enquanto os pais, dois médicos britânicos, estavam a jantar com amigos, num restaurante do resort, quando desapareceu.

Morte Acidental

O ex-inspector da PJ, Gonçalo Amaral, que foi o primeiro responsável pelo caso, acredita que Maddie morreu de forma acidental e que a morte da criança foi encoberta pelos pais. A sua teoria é de que estes esconderam o corpo numa arca frigorífica e que o cremaram, ocultado no caixão de uma mulher britânica.

A especialista criminal Pat Brown defende também a tese da morte acidental, alegando que terá ocorrido por “negligência e medicação” dos pais.

Kate, que trabalhava como anestesista, antes do desaparecimento de Maddie, daria aos filhos um medicamento para eles dormirem, segundo defende Gonçalo Amaral, considerando que a menina pode ter morrido em função disso, nomeadamente por causa de problemas cardíacos.

Em entrevista à CMTV, após o canal ter exibido uma grande reportagem sobre o caso, o ex-inspector da PJ nota a marca que Maddie revela num olho, nas fotos divulgadas aquando do seu desaparecimento, frisando que pode ser um sinal de um problema cardíaco.

Official Find Madeleine Campaign

Maddie McCann desapareceu há 10 anos.

Mas nunca foi possível confirmar se ela teria ou não este tipo de problema, uma vez que a PJ nunca teve acesso aos registos médicos de Maddie, que nunca foram cedidos pelas autoridades britânicas, lamenta Amaral.

“Não sabemos nada sobre aquela criança”, diz o ex-inspector, notando ainda, na CMTV, o facto de ela ter sido registada só dois meses depois de ter nascido, algo que define como “muito estranho” num país como o Reino Unido. Amaral refere que haveria dúvidas quanto à paternidade de Gerry.

Kate e Gerry McCann chegaram a ser formalmente constituídos arguidos, pela justiça portuguesa, mas 15 meses depois, o caso foi encerrado sem conclusão. Posteriormente, a investigação foi reaberta e está agora, sob responsabilidade da PJ do Porto.

Director da PJ garante que “pais não são suspeitos”

O director-adjunto da PJ, Pedro do Carmo, sublinhou que os pais de Maddie “não são suspeitos”, numa entrevista ao jornal Expresso

onde nota ainda, que nenhuma polícia do mundo poderia ter actuado de forma diferente neste caso.

“Nunca tínhamos tido e não voltámos a ter um caso semelhante“, diz ainda Pedro do Carmo sobre o desaparecimento que a PJ e a Scotland Yard continuam a investigar. “A  relação entre as duas polícias é de grande proximidade e de grande colaboração”, assegura o director-adjunto da Judiciária.

Estas declarações surgem depois de Gonçalo Amaral, o primeiro responsável pelo caso e que foi afastado do mesmo, ter denunciado “pressões políticas” do Reino Unido sobre as autoridades portuguesas, no âmbito da investigação.

Vítima de pedófilo

Outra tese passa pelo rapto da criança por parte de um pedófilo que pode ter acabado por matá-la, escondendo o seu corpo em local incerto.

Um antigo funcionário do resort da Praia da Luz, onde a criança desapareceu, chegou a ser interrogado pela PJ, depois de ter sido suspeito num caso em que um homem entrava em casas de férias de turistas, para abusar de meninas, enquanto dormiam. Testes de ADN ilibaram-no.

Há também relatos de várias testemunhas que alegam terem visto homens suspeitos a rondarem o apartamento dos McCann, nas vésperas do desaparecimento.

A tese de pedofilia envolve também suspeitas em torno de David Payne, médico amigo de Gerry McCann, que terá estado implicado em vários casos de abuso de menores, no Reino Unido, e que estava na Praia da Luz, aquando do desaparecimento.

Payne costumaria dar banho a Maddie e aos outros dois filhos gémeos dos McCann, bem como aos restantes filhos do grupo de amigos.

Gonçalo Amaral descreve ainda, no documentário da CMTV, um relato de uma mulher que terá visto David Payne a fazer um gesto obsceno para Gerry, simulando sexo oral e esfregando um mamilo, a perguntar-lhe se a filha já fazia aquilo.

Neste âmbito das suspeitas de um rapto motivado por razões sexuais, assume-se que Maddie pode estar ainda viva, escondida por um possível pedófilo, num caso semelhante ao da austríaca Natascha Kampusch que foi raptada aos 10 anos de idade e que esteve em cativeiro durante oito anos. Agora com 29 anos, a jovem diz ao The Daily Star que Maddie pode estar a viver “com um novo nome”, sem sequer saber quem é de verdade.

Raptada e vendida a casal rico

Outra teoria de rapto vai ao encontro de que Maddie terá sido levada por uma rede de tráfico de crianças e posteriormente, vendida a um casal rico do Médio Oriente.

Há relatos de testemunhas que garantem ter visto a criança em Marrocos, acompanhada por um homem.

Ao longo de 10 anos, foram mais de 8 mil os avistamentos da criança, um pouco por todo o mundo, o que irá ao encontro desta tese do tráfico infantil. Mas as autoridades nunca conseguiram indícios claros nesse sentido.

Atropelada

Há uma especulação que avança que Maddie pode ter acordado, a meio da noite, enquanto os pais jantavam com os amigos, e que pode ter saído do apartamento para ir procurá-los.

Neste cenário, a criança teria sido atropelada quando saiu para a rua por um condutor que terá, então, escondido o seu corpo.

Queda num fosso

Outra tese que vai ao encontro da ideia de que Maddie pode ter saído do apartamento aponta que a criança pode ter caído num fosso de obras, perto do resort, ficando presa, sem poder pedir ajuda, ou morrendo instantaneamente.

No dia seguinte, com a continuação das obras,  o seu corpo pode ter ficado irremediavelmente escondido nas fundações de cimento.

Estas duas teorias, a do atropelamento e a da queda, esbatem na dificuldade que a criança de quatro anos teria para sair do apartamento, implicando abrir e fechar portas e cortinas.

Vítima de um assaltante

Finalmente, adianta-se que a criança pode ter sido vítima de um ladrão, durante um assalto. A ideia é que Maddie terá acordado com a presença do assaltante e que este, em pânico, a pode ter retirado do local, viva ou morta.

A PJ chegou a interrogar quatro suspeitos de assaltos, com antecedentes, mas não encontrou provas contra eles. E Pedro do Carmo revela ao programa “Panorama” da BBC que eles nunca foram, verdadeiramente, suspeitos.

“Questionamos estas pessoas a pedido da Metropolitan Police e apenas com base no pedido da Metropolitan Police”, sublinha o director-adjunto da PJ, concluindo que nunca foram vistos “como suspeitos do crime”.

O ex-elemento do Sindicato dos Oficiais da PJ, Carlos Anjos, revela ao mesmo programa britânico que a “teoria de roubo é absurda”. “Nem sequer uma carteira desapareceu, não desapareceu a televisão, nada mais desapareceu”, a não ser a criança, frisa.

McCann acreditam que “tudo acabe bem”

Enquanto o enigma prossegue, os pais de Maddie continuam também, a saga pela procura da criança e pela defesa da tese de rapto.

“Eu penso que é tudo inconcebível. Ainda tenho esperança que, no fim, a justiça prevaleça e tudo acabe bem”, refere Kate McCann numa entrevista à BBC, gravada no âmbito do 10.º aniversário do desaparecimento.

“Podíamos gastar todo o nosso tempo e energia a defender-nos e a corrigir incorrecções e mentiras, mas esgotaríamos as nossas forças para procurar a Madeleine, cuidar dos nossos outros filhos e viver a nossa vida”, escreve ainda Kate na página da Internet Official Find Madeleine Campaign.

Os McCann dizem que continuam a acreditar que a justiça vai conseguir chegar ao “raptor” de Maddie e devolvê-la à sua família.

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