António Pedro Santos / Lusa

Para a ministra da Saúde, a culpa pelos atrasos nas cirurgias é do envelhecimento da população e da pressão da procura que provoca estes números.

Marta Temido rejeita falhanços do Governo no aumento do número de cirurgias em atraso. Confrontada com a manchete do jornal Público, que dava conta de uma duplicação das cirurgias em atraso, a ministra da Saúde não culpabiliza o Governo.

“Não é um falhanço deste Governo. Vale a pena dizer que este Governo tem garantido um mecanismo de vales cirúrgicos que os utentes, quando estão à espera para além dos tempos de resposta garantidos, podem ativar”, declarou Marta temido, esta quarta-feira em Lisboa, à margem da quarta cimeira Portugal-Moçambique.

“Não é um falhanço, é a consciência de que há um problema com o acesso a um serviço público, universal, geral, tendencialmente gratuito, como é o Serviço Nacional de Saúde, e que temos dificuldades, mas estamos a trabalhar para as ultrapassar“, continuou.

Para a governante, a culpa pelos atrasos nas cirurgias é da pressão da procura que provoca estes números, adianta a Renascença.

“Não acho que o esforço tenha falhado, o que acho que é temos de ter perceção de que as necessidades em saúde… o que verificamos quando olhamos para qualquer sistema de saúde, é que a pressão da procura de uma população demograficamente envelhecida

não para de aumentar e isso é uma realidade. O que não significa que nós vivemos tranquilos com os números das listas de espera. Eu já disse que essa era a minha principal preocupação”, sublinhou Marta Temido.

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, entre final de 2015 e final de 2018, foram feitas mais 589 mil consultas médicas nos centros de saúde, mais 184 mil consultas nos hospitais e um acréscimo mais ligeiro de cirurgias – mais cerca de 18 mil.

A redução dos tempos de espera na saúde é uma das reivindicações dos médicos, que iniciaram esta terça-feira dois dias de greve nacional.

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